* Preços de diárias nos hotéis de Três Pontas lideraram as reclamações de visitantes e expositores na edição deste ano
Denis Pereira – A Voz da Notícia
Em três dias os negócios gerados e prospectados na 16ª edição da Expocafé ficaram em torno de R$ 260 milhões, 30% a mais que no ano anterior. Realizada na Fazenda Experimental da EPAMIG em Três Pontas, a feira atraiu um público de 20 mil pessoas. “A feira foi um sucesso. O produtor está cada vez mais mecanizando a lavoura, e esse é um indicativo sócio-econômico importante. Como a saca do café está com preço bem abaixo do desejável, o produtor encontra aqui novidades que reduzem custo”, afirma Marcelo Lana, presidente da EPAMIG.
Produtores de pequeno, médio e grande porte visitam a feira. “A mecanização da lavoura é uma realidade. Vendemos pequenos equipamentos até para apanhadores de café”, destaca o representante comercial da Honda, Carlos Eduardo de Araújo.
Os números dos expositores comprovam que na Expocafé, o visitante vem para comprar. A TDI, empresa de Araguari com filial em Três Pontas que fabrica colhedoras de café, trouxe cinco máquinas para pronta entrega e vendeu todas. Outras vinte também foram comercializadas e serão entregues em breve. “Temos ainda vinte propostas de compra muito bem encaminhadas”, afirma Abdias Junior, diretor de marketing TDI.
“Tivemos pedidos de financiamento de R$ 5 mil a R$ 600 mil de produtores de vários estados do Brasil”, destaca Celma Fontana, assistente regional de negócios do Banco do Brasil.
Além dos estandes, quem visitou a lavoura teve oportunidade de conhecer sete novas cultivares desenvolvidas pela EPAMIG. Apenas uma delas
deve chegar ao mercado no ano que vem, as outras ainda devem aguardar até cinco anos pelo registro do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa). De acordo com o pesquisador Gladyston Carvalho “São materiais resultantes do cruzamento genético de algumas cultivares já conhecidas pelos cafeicultores, só que cinco são resistentes à ferrugem e adaptadas a áreas montanhosas, e as outras duas, para colheita mecanizada e empresarial”.
deve chegar ao mercado no ano que vem, as outras ainda devem aguardar até cinco anos pelo registro do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa). De acordo com o pesquisador Gladyston Carvalho “São materiais resultantes do cruzamento genético de algumas cultivares já conhecidas pelos cafeicultores, só que cinco são resistentes à ferrugem e adaptadas a áreas montanhosas, e as outras duas, para colheita mecanizada e empresarial”.
O coordenador técnico da Expocafé e pesquisador da EPAMIG, César Elias Botelho, destaca que “o desafio da pesquisa é buscar cultivares resistentes à ferrugem e que tenham uniformidade na maturação do grão para que o produtor obtenha bom resultado na colheita”.
A avaliação do coordenador da feira Mairon Mesquita é que o evento tem se tornado um palco para o fortalecimento institucional, onde as empresas buscam mostrar suas marcaras nesta grande vitrine.
Ele revelou que na pesquisa feita durante a feira a maior reclamação é quanto as diárias cobradas nos hotéis de Três Pontas. Segundo a organização apurou, uma diária chegou a custar aproximadamente R$400, valor muito acima do mercado se comparado ao preço cobrado no litoral paulista e carioca em alta temporada.
Feira nacional e internacional
Ao todo 120 produtores da região de Apucarana (PR) que visitam pela segunda vez a feira. De acordo com o coordenador de cafeicultura da Integrada Cooperativa Agroindustrial, Vauller Furtado, devido às dificuldades com mão de obra, a maior busca desses cafeicultores é a mecanização. “Pude perceber que as empresas expositoras estão desenvolvendo mais produtos para o pequeno produtor e também o acesso a esses equipamentos”. O cafeicultor disse que a intenção é voltar na próxima edição.
Para a lituana Ramute Pereira, residente há 12 anos no Brasil, que pela primeira vez visita a Expocafé, a feira é uma excelente oportunidade e serve como um termômetro da cafeicultura mineira. “Sou estudante de agronomia e vim conhecer o funcionamento de máquinas de alta tecnologia, novas cultivares para regiões de altitude e, principalmente, os desafios e soluções para o setor”.
EPAMIG apresenta novas tecnologias
Visitantes da 16ª Expocafé puderam conhecer sete novas variedades de café, desenvolvidas pelo Programa de Melhoramento Genético da EPAMIG, durante as dinâmicas de campo que acontecem na Fazenda Experimental de Três Pontas. São materiais resultantes do cruzamento genético de algumas cultivares já conhecidas pelos cafeicultores, em fase final de pesquisa, que serão registradas no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) nos próximos cinco anos.
De acordo com o pesquisador da EPAMIG, Gladyston Carvalho, cinco dessas novas variedades são resistentes à ferrugem e atendem a cafeicultura em áreas montanhosas e as outras duas são recomendadas para colheita mecanizada e empresarial. Segundo o pesquisador, uma dessas sete cultivares será registrada em 2014 e disponibilizada ao produtor rural. “É uma cultivar resistente à ferrugem e tolerante a doenças da florada, como antracnose, complexo Phoma”, explica.
A planta tem fruto vermelho, porte baixo – atinge cerca de 2,30 metros de altura, que atende a cafeicultura familiar. Em regiões de maior altitude pode obter maturação mais precoce. ”Ela tem uma bebida com o padrão do café brasileiro, semelhante às cultivares Catuaí e Mundo Novo”. As sete novas variedades foram testadas nas principais regiões produtoras de café de Minas Gerais.
O cafeicultor Gonçalo Luiz da Costa, do município de Perdões, que cultiva as variedades de café Catuaí e Mundo Novo, ficou interessado em renovar sua lavoura que já tem mais de 18 anos. “Pretendo introduzir esses materiais em parte do meu cafezal, principalmente, por terem porte adequado para mecanização e serem resistentes à ferrugem”. Gonçalo conta que já utiliza derriçadeira na colheita, mas que pretende adquirir uma colhedora na tentativa de reduzir mais os custos da sua produção.

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